JEJUM INTERMITENTE: O SEGREDO DO SUCESSO
JEJUM INTERMITENTE SEM HIPOCRISIA
'' O jejum intermitente é um tipo de jejum "programado", ou seja, entende-se que não é constante e duradouro, pois, o mesmo acontece em intervalos de tempos pré-estabelecidos com períodos intercalados entre estado do corpo alimentado e não alimentado''. [1]
ESCLARECENDO OS TERMOS: JEJUM INTERMITENTE E PLANO ALIMENTAR
> Plano Alimentar: é um documento planejado que mostra ao paciente/aluno como ele deve se alimentar. Geralmente ele é separado em principais refeições e lanches.
> Jejum Intermitente: é a ausência voluntária de alimentos por um período intervalado entre o estado fisiológico humano alimentado e não alimentado.
Agora que já temos uma ideia da diferença entre os termos plano alimentar e IF vamos nos aprofundar nesta filosofia de vida que chamo de ''jejum intermitente''. Quero que preste bem atenção no processo fisiológico de adaptação até a fase de transição do Jejum Intermitente. Vamos entender tudo a seu respeito e quais seus benefícios. Já adianto que IF quando praticado com cautela e dentro de seus protocolos você só terá a ganhar, uma vez que, estudos recentes mostram o benefício do próprio Jejum Intermitente na prevenção e cura de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão e mal Alzheimer.[2]
JEJUM INTERMITENTE x ESTILO DE VIDA MODERNO
Atualmente,
a obesidade tem tomado conta do cenário mundial e as evidências mostram que a
adoção de um estilo de vida inadequado vem favorecendo este acontecimento,
sobretudo no que se refere ao sedentarismo e aos hábitos alimentares.[3]
A obesidade vai muito além de um simples depósito de gordura ou algo
estético, pois secreta diversos hormônios precursores de doenças
cardiovasculares.[4]
Quando
nos referimos a estilos de vida, tais como hábitos alimentares, não podemos
deixar de falar do sistema natural e biológico do corpo que teve sua natureza
modificada pelo próprio homem e que, de fato, deixou de funcionar em ritmos
circadianos.[2]
Por conta desses hábitos inadequados e ao alto fluxo de alimentos ingeridos durante o dia acabamos ficando presos em um ''ciclo gordo'' e, automaticamente, criamos um distúrbio hormonal, secretando hormônios que estimulam a fome e, consequentemente, levam o individuo ao um quadro clínico de sobrepeso a obeso.
Partindo
deste princípio, estudos hoje mostram a prática do jejum intermitente como
grande aliado no controle metabólico dos alimentos e da própria obesidade, pois
além de manter o equilíbrio hormonal, ainda potencializa o emagrecimento. Zinczenko e Moore (2014, p. 31), revelam um estudo
publicado no British Journal of Nutrition, em 2010, que os participantes que
consumiam três refeições e três lanches por dia não emagreceram mais do que
aqueles que faziam apenas três refeições por dia, isto é, com a mesma
quantidade de calorias. Desta forma, concluíram que comer toda hora não ajudava
a emagrecer.[2]
POTENCIALIZANDO O EMAGRECIMENTO
Marques (2014), ressalta que no momento em que o corpo fica sem se alimentar, o mesmo começa a utilizar mais substratos energéticos, potencializando a utilização da glicose sanguínea e glicogênio hepático (fígado). Sendo assim, em resposta ao processo fisiológico de depleção de glicose e glicogênio, o corpo irá recorrer à outra via metabólica como β - oxidação. Via metabólica que utiliza a gordura como fonte de energia.[1]
Zinczenko
e Moore (2014, p. 63), afirmam que a prática do jejum intermitente além de quebrar
moléculas de gorduras, ainda tem um efeito profundo sobre os hormônios da fome
(grelina) e da saciedade (leptínea) preparando o indivíduo para um
emagrecimento bem-sucedido.[2]
JEJUM INTERMITENTE EM PROL À SAÚDE
Quanto ao jejum intermitente no tratamento de doenças e controle
glicêmico, (Jones, 2016, p. 23, 24) afirma que, ''... Restringir as calorias
consumidas reduz os níveis sanguíneos de IGF-1, hormônio similar à insulina e,
consequentemente, protege o organismo das principais doenças. Proporciona uma queime
de gordura em um ritmo mais acelerado e regula melhor os níveis de açúcar no
sangue''.[5]
JEJUM E SEUS FATOS
O jejum intermitente não pode ser praticado por qualquer pessoa como, por
exemplo, gestantes e lactantes. Algumas pessoas relatam que durante a fase de
jejum é notável a dificuldade para a realização de algumas atividades por falta
de energia. Outro ponto relevante é que nos dias de jejum é bem provável que
você não obtenha as quantidades diárias recomendadas de muitos nutrientes
vitais.[5]
CONCEITOS BÁSICOS QUE VOCÊ PRECISA SABER
Refeed e Homeostase
Homeostase: Manutenção das reações relativamente estáveis buscando equilíbrio do corpo.
Refeed ou Dia do Lixo: Fase de
reposição de glicogênio (Estoque Energético), regulação metabólica (Níveis
Hormonais), manutenção de T3/T4 ''Tireoide'' (Metabolismo), quebra da
acidose (Aumento do pH sanguíneo).
Exemplo:
Refeed ou dia do lixo é a estratégia que utilizamos para voltarmos o equilíbrio hormonal do corpo.
Cetose e Acidose
Cetose: Processo da quebra de moléculas de triglicerídeos (Gorduras) em ácidos graxos e glicerol através da via de oxidação das gorduras para formação de energia.
Acidose: Processo que resulta na queda dos níveis de pH sanguíneo e, consequentemente, poderá ocasionar dores de cabeça, enjoos, fadigas e tonturas. Níveis altos de cetose na corrente sanguínea podem potencializar os efeitos negativos da acidose.
SEGREDO VALIOSO QUE TALVEZ NÃO SOUBESSE OU QUE NUNCA FOI REVELADO A VOCÊ
DIA DO LIXO: OPÇÃO OU OBRIGAÇÃO?
Nesta fase, o estoque de glicogênio irá resgatar o equilíbrio (homeostase) do corpo. Se tratando de Jejum Intermitente, Dietas cetogênicas, Dunkan e Low carb, o refeed passa a ser uma obrigação e não uma opção!
Lembre-se da fase de cetose que ao se estender por muito tempo poderá ocasionar uma acidose na corrente sanguínea, gerando um distúrbio e comprometendo o DNA, produzindo proteínas defeituosas. A solução para esse problema será a reposição de carboidratos por meio do estoque de glicogênio hepático.
Nesta fase é interessante comermos uma quantidade de aproximadamente 50% do que você come ao dia!
Portanto, refeed tem a finalidade de estocar glicogênio hepático. O mesmo terá como função manter a interação da tireoide e tecido muscular. Em casos de acidose, o uso dos carboidratos será uma das melhores opções.
O QUE CONSUMIR EM DIAS DE LIXO?
Opção1: 1 Omelete com 3 ovos inteiros + 1 banana prata fatia com canela + 1 copo de suco verde (detox);
Opção2: Macarronada (integral) + Molho de tomate + porções de carne moída;
Opção3: 300ml de coco batido com 1 colher de chá de leite conden-sado;
Opção4: 300ml de salada de fruta;
FISIOLOGIA DO JEJUM INTERMITENTE: PASSO A PASSO
1. Na primeira fase, o corpo se alimenta de glicose vinda dos alimentos que passam pelo processo de digestão e absorção até chegarem à corrente sanguínea. Porém, na ausência de alimentos a glicose começa a baixar e consequentemente a insulina também;
2. Na segunda fase, por conta desse baixo nível de açúcar (glicose) sanguíneo, o corpo recorre ao estoque de glicogênio situado no fígado no qual essa reserva energética agora é liberada, gradativamente, para manter o nível estável de açúcar no sangue;
O QUE PODEMOS INGERIR OU CONSUMIR DURANTE O JEJUM
Pode-se consumir bebidas com baixas calorias que não ultrapassem 50 kcal. Isso equivale aproximadamente:
Carboidratos: 12,5g
ou
Proteínas: 12,5g
ou
Gordura: 5,5g
Então, não subestimem o óleo de coco, água de coco ou até mesmo os sucos detox porque dependendo de sua quantidade poderão sim quebrar seu jejum. A quebra do jejum está relacionada tanto à qualidade do recurso quanto sua quantidade.
Exemplos de recursos que podemos agregar ao seu dia a dia enquanto estiver jejuando:
Opção1: Café sem adoçante
Opção2: Chás (Verde, Hibisco, Branco e etc...)
Opção3: Água Hidro (zero calorias)
Opção4: Tic Tac (48 kcal)
Opção5: Água
Aviso Importante!
Antes de darmos continuidade aos protocolos, quero deixar claro que esta página é baseada em opiniões pessoais, embasamentos teóricos de artigos e livros de autores que defendem e vivem a mesma filosofia de vida (Jejum Intermitente). As opiniões expressas e os estudos explanados não podem ser vistos como detentores da verdade e precisam ser explorados ainda mais. Antes de executarem qualquer plano, seja ele, de atividade física ou nutricional é interessante que o mesmo seja prescrito e orientado por um profissional capacitado para que os seus objeitvos sejam alcançados com êxito e, acima de tudo, com segurança!
ALGUNS EXEMPLOS DE ESTRUTURAS
Jejum de 12 Horas - Fase de Adaptação
Consumir e ingerir alimentos com a frequência de 4 em 4 horas en-tre as refeições.

Após a fase de adaptação (Jejum de 12 horas) que tem duração aproximadamente de 3 a 5 dias, podemos fazer a transição para 16 horas de jejum. Para melhor esclarecimento, a essa altura já fizemos o Refeed (reposição de glicogênio), regulamos taxas metabólicas, ou seja, quebramos a homeostase (acidose) e o processo inicia se do zero.
O
processo consiste em excluir uma refeição e de preferência a primeira do protocolo
anterior de 12 horas, porém, compensando as quantidades de macronutrientes nas
demais refeições

Após a fase do protocolo de 16 horas que tem duração aproximadamente de 5 a 7 dias, podemos fazer a transição para 20 horas de jejum.
O processo consiste em excluir uma refeição e de preferência a primeira do protocolo anterior de 16 horas, porém, compensando as quantidades de macronutrientes nas demais refeições.

Jejum de 24 Horas
Após a fase do protocolo de 20 horas que tem duração aproximadamente de 4 a 6 dias, podemos fazer a transição para 24 horas de jejum.
O processo consiste em excluir uma refeição e de preferência a primeira do protocolo anterior de 20 horas, porém, compensando as quantidades de macronutrientes nas demais refeições.

2. ZINCZENKO, David; MOORE, Peter. DIETA DAS 8 HORAS. Rio de Janeiro: Sextante, 2014.
3. GUEDES,
Dartagnan; GUEDES, Joana. CONTROLE DO
PESO CORPORAL: COMPOSIÇÃO CORPORAL, ATIVIDADE FÍSICA E NUTRIÇÃO. Rio de
Janeiro: Shape, 2003.
4. SLYWITCH,
Eric. EMAGREÇA SEM DÚVIDA: TUDO O QUE
VOCÊ PRECISA SABER PARA FAZER AS PAZES COM SEU CORPO E VENCER A LUTA CONTRA
BALANÇA COM SAÚDE E SEM PASSAR. São Paulo: Alaude, 2014.
5. JONES, Caroline. A MELHOR DIETA PARA VOCÊ. Rio de
Janeiro: Sextante, 2016.
6. FUNG, Jackson. Fisiologia em jejum - Parte II. Disponível
em: <https://intensivedietarymanagement.com/fasting-physiology-part-ii/
> Acesso em 09 de Abril de 2017.
